YouTube como plataforma de ensino-aprendizagem?
Pode o YouTube ser um aliado dos professores? O YouTube já é uma das maiores fontes de pesquisa online e é um espaço aberto para quem quer aprender e ensinar online.
Mas, podemos considerar o YouTube uma plataforma de ensino-aprendizagem em rede?
É sobre isso que nós vamos conversar neste artigo, a partir do conhecimento compartilhado pelo Prof. Dr. Mike Wesch através do seu canal no YouTube e da experiência de 5 professores.
Teaching Without Walls
Teaching Without Walls é o slogan do canal do YouTube do Dr. Mike Wesch. Wesch é professor de antropologia cultural, é reconhecido pelos seus estudos sobre a ecologia da mídia e a etnografia digital onde ele estuda os efeitos das novas tecnologias de comunicação (novas mídias) na interação humana.
Autor de vídeos notáveis no YouTube, ele usa esta mídia para ensinar além dos muros e para estudar o impacto dessas mídias no processo de ensino e aprendizagem em rede.
YouTube como plataforma de ensino-aprendizagem?
The Machine is Us/ing Us
Seu vídeo “Web 2.0 ... The Machine is Us/ing Us”,
publicado em 31 de janeiro de 2007 conta com mais de 12.020.274 visualizações e
pretende explicar a “Web 2.0 in just under 5 minutes”:
Este
vídeo é especialmente interessante pois ele nos traz duas noções básicas para
entendermos a educação em rede:
1 – hipertexto: o hipertexto, texto em formato digital
ao qual podemos incluir informações complementares através de hiperligações. Ao
contrário do texto impresso, o hipertexto nos permite a criação de linhas de
conexão (links de referências) que tornam a noção de rede “visível”
textualmente.
2 – web 2.0: a web 2.0 nos abriu a possibilidade de
colaboração e de cocriarão, abrindo espaço para o diálogo e a interação online.
Esses dois elementos transformaram a nossa sociedade
pois eles nos transformaram em criadores de conteúdo, visto que todo ato de
comunicação em rede se transforma em dado e contribui para a construção da
inteligência coletiva (Lévy 2003).
An anthropological introduction to YouTube
O vídeo “An anthropological introduction to YouTube” é
resultado de uma apresentação à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em
23 de junho de 2008. Neste vídeo ele se baseou no trabalho dos seus alunos para
apresentar ideias e descobertas exclusivas sobre o impacto social do YouTube e
da mídia de redes sociais em geral:
É válido notar que o vídeo “An anthropological
introduction to YouTube” foi gravado 3 anos após a criação da plataforma de
vídeos que foi vendida para o Google em novembro de 2006, mesmo mês em que foi
eleita pela revista Time (edição de 13 de novembro de 2006) como a melhor
invenção do ano.
Segundo o próprio Google “hoje, o YouTube atinge mais
pessoas de 18 a 49 anos que a TV a cabo. É uma audiência engajada, com poder de
compra e que não consome conteúdo passivamente”.
O YouTube também contribuiu e muito para as mudanças
de paradigma na educação da sociedade em rede. É no YouTube que professores
podem ensinar sem fronteiras, pessoas podem aprender gratuitamente com os
professores de sua preferência, é lá que nós podemos registrar e recuperar
registros em audiovisual e também é lá que nós podemos nos deixar envolver e
enganar pelo algoritmo de indicações.
Machine is (Changing) Us: YouTube and the Politics of
Authenticity
Como
o YouTube ou melhor, “the machine” está nos influenciando, é o assunto do vídeo
The “Machine is (Changing) Us: YouTube and the Politics of Authenticity” que
traz uma atualização do vídeo “An anthropological introduction to YouTube” e
nos mostra como a mídia influencia a nossa maneira de nos comunicarmos e nos
posicionarmos no mundo:
Ele parte do comportamento passivo que tínhamos diante
da TV para assumirmos o protagonismo na web 2.0. Este protagonismo não é sem
consequências e nós nos tornamos escravos da criação de conteúdo, da
necessidade de autenticidade e de exposição.
Algumas
dessas mudanças que nos sufocam e nos libertam simultaneamente e como elas
estão influenciando o comportamento dos estudantes são evidenciadas nos vídeos que
seguem.
Em
“students helping students” ele nos mostra como os alunos de uma escola se
mobilizaram para ajudar os alunos que estavam em dificuldade com a ajuda de uma
plataforma digital:
Em “A vision of students today”, criado por ele em
colaboração com 200 alunos da Kansas State University, ele nos propõe um
pequeno resumo das características mais importantes dos estudantes, como eles
aprendem, o que precisam aprender, seus objetivos, esperanças, sonhos e
perspectivas de vida:
O vídeo foi postado em 2007 e se nós já conseguimos
perceber as diferenças entre esses estudantes e os de 2023, também é preciso
dizer que as mudanças que nós estamos vivendo como sociedade ainda não são
percebidas e nem absorvidas pela sociedade como um todo.
Protagonismo e colaboração me parecem palavras-chave
na educação da sociedade em rede. A web 2.0 nos trouxe a possibilidade de
interação e de co-criarão e o hipertexto, a possibilidade de interligação de
referências.
Esses dois elementos favorecem a autonomia, a autoformação
e a aprendizagem ao longo da vida. Mas eles também nos envolvem em uma teia
arquitetada por algoritmos que visam a personalização da informações para
manter a atenção do público e consequentemente, o lucro financeiro de cada
plataforma.
O YouTube é uma plataforma fantástica e um espaço
aberto para todos. E, o algoritmo do YouTube funciona exatamente assim:
personalizando a busca para poder indicar vídeos que prendam a atenção dos
usuários aumentando sua permanência da plataforma, o que faz com que o consumo
de publicidade aumente.
Mas,
qual é o impacto desta plataforma na relação
professor-aluno-conteúdo de aprendizagem?
Esta foi a questão central no debate que realizamos no
nosso grupo de estudos sobre Educação e Sociedade em Rede e pode ser o ponto de
partida para um debate que pode continuar aqui nos comentários.
O debate foi enriquecido com a reflexões e inquietações
de colegas que têm diferentes experiências no ensino: formal, informal, online,
presencial e também com diferentes públicos: crianças, adolescentes e adultos.
Algumas dessas questões e experiências eu vou
compartilhar aqui para que sirvam de base para a nossa reflexão.
Sobre a autenticidade no YouTube:
Andréa Lèbre, nos trouxe algumas reflexões sobre a questão
da autenticidade no YouTube que passo a citar:
acerca do conceito de autenticidade na visão do doutor
Mike Wesch, apresentados nos vídeos “An anthropological introduction to
YouTube” e “The Machine is (changing) Us” e avaliar o impacto desse conceito, e
dessa plataforma, na relação professor-aluno-conteúdo de aprendizagem,
Analisemos o caso do canal “lonelygirl15”, onde são
apresentados vídeos de uma menina adolescente, gravados no seu quarto. O canal
torna-se um fenómeno de popularidade e conquista uma elevada audiência
interessada em um “conteúdo real e autêntico”. Mas, na verdade, o canal acabou
por ser revelado como um “experimento social” e a menina adolescente não
passava de uma atriz, lendo um roteiro. A repercussão negativa do caso fez com
que os criadores do projeto trouxessem um argumento para a discussão: “ela não é
mais real ou fictícia do que as partes da nossa personalidade que escolhemos
mostrar (ou esconder) quando interagimos com as pessoas ao nosso redor”.
Será este um argumento válido? E será preciso
analisar a relação professor-aluno também sob essa ótica? O quão autêntico
deverá ser o professor para atuar nessa interface? A busca pela audiência
justifica “ajustar” o ponteiro da autenticidade?
Importante notar que o Youtube marca uma transição
na maneira que produtores e consumidores se relacionam. Entende-se aqui
produtores como “produtores de conteúdo”, sejam eles artistas, celebridades,
personalidades da internet ou professores, e consumidores como a audiência do
conteúdo gerado por essas pessoas. A plataforma é uma ponte direta, que
aproxima pessoas. Nesses nossos tempos, o desejo por interatividade tornou-se
um ativo muito valorizado no mercado.
Mas, a exposição no YT traz lá os seus perigos,
pois traz a necessidade de aprovação como algo intrínseco, afinal o conteúdo
precisa ser consumido por uma audiência, que se relaciona e afeta diretamente a
sua produção. Será que, em última instância, a audiência em canais educativos,
também é determinante na definição da “persona” do professor e na produção do
conteúdo?
Estas questões também me preocupam e eu acredito que elas preocupem a
maioria dos leitores deste blogue.
No caso especial do YouTube, mas também em todas as redes e até nas
diferentes instituições existem regras e modos de trabalhar aos quais nós
deveremos no adaptar.
Ao meu ver, a necessidade de aprovação sempre existe, tanto que, cada
nova turma nos traz um novo “frio na barriga”.
A grande diferença com as redes é a amplitude: um vídeo no YouTube pode
alcançar milhares de pessoas o que intensifica as possibilidades de aceitação
assim como as críticas.
Inclusive é este medo das críticas que faz com que muitos professores e
pesquisadores não queiram compartilhar seu trabalho online.
Mas voltando ao nosso assunto principal, nossa capacidade de atenção
está cada vez menor e por isso, teremos sim que nos adaptar aos métodos e
técnicas (tão conhecidas dos “influenciadores digitais”) para captar a atenção
dos estudantes tanto na sala de aula, quanto em videoaulas ou no YouTube.
Inclusive o professor Mike Wesch tem um vídeo no YT falando sobre “What
Teachers can learn from YouTubers about Engaging Students Online”.
Eu não acredito que precisamos abrir mão da nossa
autenticidade para conseguir reter a atenção da nossa audiência (seja ela no
YouTube ou na sala de aula), mas existem técnicas de comunicação que podem nos ajudar a tornar as nossas aulas e videoaulas mais
dinâmicas e interessantes.
10 dicas do professor Dr. Mike Wesch
Algumas dessas técnicas aparecem no no vídeo “Teaching without walls Online Teaching
Tips” que a
1 - Simplificar a estrutura (menus minimalistas,
caminhos claros);
2 – As primeiras impressões são importantes;
3 - Justificar as suas decisões (dar indicações de que
se importa com a classe, mensagem de que está do lado dos alunos, que tem em
conta padrões de qualidade justos, intencionais);
4 – Construir uma comunidade (por ex. apresentações em
vídeo, coisas simples);
5 – Fazer uma
discussão/reflexão sobre as discussões (conhecermo-nos, conhecer e refletir
sobre as regras);
6 – Visão geral semanal em vários formatos;
7 – Não desperdiçar o tempo dos alunos (forma como se
podem disponibilizar materiais, por ex. áudios que podem ser ouvidos em
qualquer lugar;
8- Ler para os alunos;
9 – Responder livremente em vídeos não editados (basta
ligar a câmara e ser você mesmo);
10 - Nenhuma classe é igual.
Estas 10 dicas podem nos ajudar a tornar as nossas
aulas e videoaulas mais dinâmicas e engajar os estudantes no processo de ensino
e aprendizagem.
Experiências reais de ensino e aprendizagem no YouTube
Duas experiências reais também foram relatadas durante
o nosso debate e considero especialmente relevantes para este artigo. Por serem
experiências pessoais eu aptei por transcrever aqui, sem identificar as colegas.
“Como relatei em minha apresentação, não tenho
experiência na área da educação como profissional por enquanto, porém, tenho
muita experiência como estudante do ensino à distância e em diferentes formas
de online.
Para ser breve, em minha graduação e pós-graduação
na área da Matemática estudei de forma bastante solitária, raramente tirava
dúvidas com os professores, devido ao tempo que eu tinha para estudar e por
precisar ser respondida rapidamente, o que não acontecia ao enviar minhas
dúvidas.
Então, aprendi a buscar soluções para os meus
problemas (matemáticos) na internet, inclusive no YouTube. Depois de algum
tempo, eu tinha os meus professores preferidos, ou seja, os que eu entendia
melhor e sempre recorria a eles.
Ao ler os tópicos que vocês escreveram, também me
veio à mente um garoto do ensino básico, ao qual dei aula apenas uma vez para
cobrir uma professora que havia faltado durante o meu estágio, que me disse:
“Professora, você conhece os vídeos da (não lembro o nome) que faz vídeos muito
legais sobre Matemática? Eu tenho aprendido muito com ela.”
Com isto, chego ao meu pensamento, o YouTube é um
grande auxílio no aprendizado de alunos, tanto presenciais como online, é uma
ferramenta que acrescenta no aprendizado de quem realmente quer aprender, pois
apesar dos algoritmos, assim como a Leila mencionou, te indicar um conteúdo de
qualidade, basta você a escolha e autonomia para querer aprofundar em um
assunto que você pesquisou anteriormente e que fica ali na sua tela à sua
disposição.
Assim como, para nós, uma integração entre outros
profissionais, novos métodos de ensinar, novas formas de transmitir os
conteúdos (o que acontece muito na Matemática), e assim como relatou a Andréa,
que no mesmo momento lida com diversas formas de ensinar”
“Tenho pouca experiência com o ensino a distância,
enquanto professora e formadora, e a utilização da tecnologia no ensino
presencial nas escolas onde leciono é residual. Os tempos mudaram, mas os
programas mantêm-se e o corpo docente em Portugal está muito envelhecido e não
acompanha o ritmo alucinante das transformações. A verdade é que os alunos,
sobretudo no ensino secundário. muitas vezes mencionam que sabem do que estamos
a falar, porque viram um vídeo ou um tutorial e até questionam a veracidade de
algumas informações do manual ou dos professores. Nesse sentido, considero que
o tempo despendido na internet é uma mais-valia, mais não seja, pelo
desenvolvimento da competência reflexiva.
No entanto, também tenho observado que, quando
solicitamos um trabalho de pesquisa, não há uma preocupação com a avaliação da
qualidade do conteúdo. Qualquer vídeo ou tutorial que esteja relacionado com o
tema em análise serve de base para o trabalho, o que de alguma forma é
paradoxal com o que referi anteriormente, ou seja, na maioria das vezes o conteúdo
não é questionado e, se está disponível e tem muitas visualizações, então é
considerado pertinente.
É muito angustiante não ter tempo para trabalhar
estas competências, porque temos um programa muito extenso para cumprir e o
aluno tem um exame no final que determina a sua entrada na universidade e é
ainda mais angustiante pensar que o aluno vai chegar ao ensino superior sem a
capacidade de filtrar a informação e discernir o que é válido e o que é
discutível.
Como tivemos oportunidade de ouvir, a professora
Ana Dias, no encontro "Passado Presente e Futuro(S) da EAD e eLearning Em
Portugal", deu-nos conta dos esforços envidados pelo Ministério da
Educação em dotar a comunidade escolar de competências digitais e penso que o
ensino poderá ir mais ao encontro dos interesses dos alunos num futuro próximo,
com um corpo docente mais novo e digitalmente mais competente. E, quanto a mim,
as novas metodologias passam por assumir um modelo 'híbrido' ainda que em
presença, ou seja, em sala de aula, mas com trabalho em rede, baseado em
pesquisa, reflexão e projeto.
Em relação à formação a distância, também aqui a
minha experiência é talvez bizarra, pois as orientações passam muitas vezes
pela aposta a tempo inteiro em reuniões zoom, ou seja, por replicar
virtualmente o modelo de sala de aula presencial e adotar uma metodologia mais
expositiva. Apesar de tudo, noto que há um investimento cada vez mais regular
do centro de formação onde trabalho em dar formação aos seus formadores para
inverter esta tendência inicial e promover uma experiência formativa mais
dinâmica e ativa, centrada no formando.
Tenho investido bastante em formações relacionadas
com recursos multimédia, das quais este mestrado é prova, e de capacitação
digital numa tentativa de acompanhar as experiências no mundo virtual dos
alunos e de conseguir adaptar as minhas práticas letivas a esta realidade. Uma
das ideias que me ocorreu com este trabalho foi exatamente a da exploração de
vídeos no YouTube para discussão da validade do conteúdo junto dos alunos a
frequentar o 3.º ciclo.
Estas são algumas das minhas preocupações enquanto
docente de Português e de coordenadora pedagógica de um centro de formação. O caminho parece-me longo e sinuoso...“
Pode o YouTube se tornar um aliado dos professores?
Como
nós podemos perceber nos relatos acima, e com a nossa experiência própria, o
YouTube é uma fonte de pesquisa e de estudos.
Nosso
desafio é saber usar e saber ensinar a usar “a máquina” para que ela possa se
tornar uma aliada.
Utilizar as mídias digitais e as redes sociais para
compartilhar conhecimento, buscar o diálogo e a colaboração é a melhor maneira
de entendermos como essas mídias estão realmente influenciando nosso
comportamento e o comportamento dos nossos alunos.
A partir dessa procura de entendimento é que nós,
professores, poderemos encontrar novas maneiras de ensinar online.
Qual
é a sua experiência de ensino e aprendizagem no YouTube?
Fique à vontade para continuar esta reflexão conosco aqui nos comentários e se você usa o YouTube para ensinar, compartilhe o link do seu canal para que todos passamos aprender com você!
Bom, eu tenho um canal no youtube 😊 Neste vídeo eu falo sobre algumas razões para se criar um canal no YouTube e vou adorar saber qual é a sua opinião.

Eu acho que o Youtube é uma excelente ferramenta de ensino aprendizagem!! Eu aprendo sempre pelo Youtube e já ensinava minha filha a pesquisar suas dúvidas pelo Youtube! Você toca em muitos pontos importantes Leila. Um deles é do ponto de vista do aprendiz e sua capacidade de selecionar conteúdo de qualidade, ou pelo menos útil para a sua aprendizagem. Esse deveria ser um tema recorrente em todas as situações de ensino. Já as 10 dicas do Prof Welsh trazem o que parece ser necessário para uma boa comunicação em aulas online, presenciais (salvo adaptações), e híbridas. Acredito que estas dicas devem ajudar o professor Youtuber a se desligar de uma necessidade de ser uma "persona" diferente só para agradar. Eu sempre incentivei professores a gravar videos explicativos e também aceitar/indicar outros videos ou videos dos próprios alunos. O que você fala sobre a vergonha de se ver e/ou de se ouvir me parece ser mesmo uma barreira. Mas todos temos a ganhar com mais pessoas ensinando online não é mesmo?!!
ResponderExcluirTemos muito a aprender com professores ensinando no YouTube! Eu acho necessário ocuparmos esses espaços 🤞
ExcluirLeila, em primeiro lugar obrigada por disponibilizar seus aprendizados e trocas ao longo do mestrado. Essas considerações me interessam muito, e desde o início da pandemia tenho me dedicado às formas de melhor ensinar (e aprender) usando o Youtube.
ResponderExcluirNo vídeo do professor Mike Wesch, “What Teachers can learn from YouTubers about Engaging Students Online”, encontrei uma passagem muito interessante onde ele fala que "o Youtube não se importa com as suas credenciais". Essa frase me fez refletir bastante com relação a atração ou repulsão dos meus alunos aos meus vídeos. O conteúdo é fundamental, mas realmente nossas credenciais tem um peso diferente na sala de aula e no Youtube em termos de reter o aluno e conseguir transmitir o conteúdo.
No momento uso os meus vídeos no Youtube como complemento das aulas para responder à dúvidas e questões dos alunos, esclarecendo pontos importantes dos cursos. Pretendo, no entanto, explorar mais o Youtube para aulas completas. Nesse sentido, o seu texto fala sobre sermos nós mesmos nos vídeos, e essa é uma questão relevante para mim. Quando dou aulas sou bem humorada e dinâmica, segundo meus próprios alunos, e a partir do seu texto tenho refletido sobre a importância de ser assim também nos vídeos, sem a necessidade da formalidade que muitas vezes me imponho.
Que venham novos textos seus dividindo seu aprendizado!
Que bom te encontrar aqui e desculpa a demora em responder.
ResponderExcluirRealmente não é fácil ser natural nos vídeos gravados como somos ao vivo, mas posso te garantir que é uma questão de prática, como é na docência em si.
Também quando iniciamos nossa carreira docente, não somos tão naturais na sala de aula.
Por outro lado, no YouTube o caminho percorrido por um aluno para chegar até nós é diferente:
- ele faz a procura por um tema
- escolhe um vídeo entre vários em uma lista (e usa critérios bem específicos e até pessoais para isso)
- decide em poucos segundos se vai assistir ao vídeo ou não
- deixa um feedback ou não de um modo que pode ser impessoal, anônimo ou até disfarçado
Isso tudo é bem diferente da sala de aula, né?