ePortfólio | Processos Pedagógicos em eLearning

 

A criação de um portfólio acadêmico digital é uma forma de avaliação formativa que tem como objetivo favorecer o desenvolvimento de estratégias metacognitivas dos estudantes. O processo de reunir e (re)organizar as leituras, discussões e produções de artefatos realizadas durante um curso ou disciplina, favorece a reflexão sobre o seu próprio processo de construção do conhecimento. (Moreira et al., 2020)

Este ePortfólio é resultado dos estudos, discussões e atividades realizadas para unidade curricular Processos Pedagógicos em eLearning ministrada pela Professora Lina Morgado no Mestrado de Pedagogia de eLearning na UAb (Universidade Aberta de Portugal). Segundo o contrato de aprendizagem disponibilizado pela professora, os objetivos de aprendizagem para esta UC são:

  • identificar e discutir os aspetos fundamentais no que se refere à pedagogia do eLearning em 3 dimensões: dimensão Estudante, dimensão Professor e dimensão Design da Aprendizagem;
  • distinguir e avaliar diversos métodos e técnicas de ensino online;
  • desenhar situações de aprendizagem online e híbridas fundamentadas numa perspectiva pedagógica coerente e adequada ao contexto específico em que vão desenvolver-se;
  • adotar uma prática docente coerente com a abordagem pedagógica escolhida e efetiva no suporte às aprendizagens que se deseja promover.

O programa se desenvolveu através de três unidades temáticas que refletem as três dimensões da Pedagogia do eLearning:  

  • Dimensão do Estudante, onde estudamos os Personal Learning Environments
  • Dimensão do Professor, onde estudamos e discutimos o papel do professor (Humano e não-Humano) no contexto online.
  • Dimensão Design da Aprendizagem, onde estudamos e discutimos alguns aspectos fundamentais do desenho da aprendizagem em contexto online.

Cada temática foi desenvolvida a partir de diferentes atividades de pesquisa, leitura e produção de artefatos que foram disponibilizados online.

As atividades que nos guiaram durante o semestre foram visivelmente desenhadas sob uma perspectiva socio-construtivista com um plano de trabalho que envolvia uma fase de autoaprendizagem através de pesquisa e leitura de artigos, a produção de um artefato, uma fase socialização nos fóruns criados para cada temática e um encontro síncrono com convidados especialistas em cada temática.

Ao final do semestre cada estudante dispunha de material para a elaboração do seu próprio ePortfólio.

 

Como este ePortfólio foi criado:

A criação de um ePortfólio envolve algumas decisões importantes desde o momento da sua concepção, pois precisamos pensar na sua estrutura, na ferramenta a ser utilizada e também, é claro, na funcionalidade deste artefato digital.

Segundo os autores do capítulo que trata da avaliação digital no livro Educação Digital em Rede: Princípios para o DesignPedagógico em Tempos de Pandemia (Moreira et al., 2020):

Um e-portfólio não é um mero repositório de documentos em variados formatos ou um meio de partilhar e comunicar entre várias pessoas, mas é um espaço de aprendizagem, reflexão e de construção do conhecimento.

Este blog é um exemplo de ePortfólio Acadêmico, pois ele me permite reunir, organizar e conectar conhecimento adquirido desde o primeiro semestre deste mestrado.

Os blogs são ferramentas importantes no compartilhamento de conhecimento e de colaboração em rede pois eles nos permitem compartilhar experiências, leituras e os conhecimentos adquiridos, assim como nos permitem abrir um espaço de diálogo com os leitores que podem assumir uma postura de co-criadores do conteúdo a partir dos seus comentários.

Este ePortfólio foi criado no formato de artigo dentro do blog Aprendendo e Ensinando Online interligando os trabalhos realizados durante o semestre e que foram publicados aqui em formato de artigos reunidos sob a tag #ppel.

Para facilitar a leitura e dar uma visão geral do processo de aprendizagem durante este semestre na UC Processos Pedagógicos em eLearning eu vou apresentar os trabalhos na sequência de cada temática.


Temática 1: Dimensão do Estudante

Nossos estudos começaram pela busca de compreensão do conceito de Personal Learning Environments, assim como a identificação e reflexão sobre o nosso próprio Personal Learning Environment.

Para esta temática, dois artigos foram produzidos:

Ambientes Pessoais de Aprendizagem:bibliografia anotada 

Artigo publicado em 31 de março de 2023, onde eu explico que o conceito de Personal Learning Environments (PLE) ou Ambientes Pessoais de Aprendizagem em português, ainda está em desenvolvimento como mostram as pesquisas e os dois artigos apresentados no blog.
Apesar de sabermos que o conceito ainda está sendo desenvolvido, abemos que os PLEs são ambientes de aprendizagem criados pelos próprios indivíduos como um espaço para gerenciar, organizar e compartilhar conhecimentos e informações relevantes, com o intuito de facilitar a sua aprendizagem.

Ambiente Pessoal de Aprendizagem Onlife 

Este artigo com vídeo eu mostro como organizo meu Ambiente Pessoal de Aprendizagem a partir dos três princípios para a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal segundo Downes (in Mota, 2009):

  • Interação: para ter a possibilidade de compartilhar, aprender e colaborar com os colegas;
  • Usabilidade: para poder organizar e encontrar facilmente as informações que preciso;
  • Relevância: para poder filtrar e receber informações de fontes confiáveis quando e onde eu precisar delas.

Ao final desta temática foi realizada uma sessão online e ao vivo com a Profa. Dra. Ana Maria Neves, investigadora do Laboratório de Educação a Distância e eLearning da UAb. Infelizmente eu não pude participar.


Temática 2: Dimensão do Professor

Para refletir o papel do professor (Humano e não-Humano) no contexto da Educação Online e em Rede, nós também partimos da pesquisa para criar uma bibliografia anotada (clique na imagem para ler o artigo completo):


onde conseguimos listar alguns dos papeis assumidos pelos professores online, tais como:

  • Facilitador da aprendizagem
  • Designer instrucional
  • Comunicador
  • Avaliador do desempenho
  • Orientador e tutor
  • Pesquisador e estudante

O papel do professor online é dinâmico e multifacetado, varia de acordo com o contexto no qual está inserido e é fundamental para o engajamento dos alunos, possibilitando a criação de uma comunidade de ensino-aprendizagem online.

Como eu comento no artigo Professor Online: bibligrafia anota eu gosto muito do modelo de Community of Inquiry , modelo teórico proposto por Randy Garrison, Terry Anderson & Walter Archer para o ensino a distância (2000) e desenvolvido por Garrison & Anderson (2003), que eu apresento no artigo Educação Digital e Ecossistemas de Aprendizagem em Rede pois ele mostra um aspecto essencial para o sucesso de todo processo educativo: a presencialidade. 

Sob esta perspectiva, nós podemos perceber que a presença docente é essencial no processo de ensino-aprendizagem e eu ouso dizer que o papel do professor online (mas não somente) é o de estar presente e participar do processo desde o planejamento fazendo a curadoria de conteúdo, preparando as atividades, orientando as discussões, dando e recebendo feedback.

Os ambientes virtuais de aprendizagem permitem uma maior flexibilidade e até, a automatização de grande parte do trabalho visto que todo o conteúdo multimídia e as atividades podem ser reutilizados, podem alcançar muitas pessoas ao longo do tempo, de forma recorrente e assíncrona.

Contudo, sem a presença de ensino e o acompanhando dos professores, o conteúdo torna-se obsoleto, a presença social esfria e a cognitiva desaparece.

Infelizmente, a falta de presença de ensino e de acompanhamento por parte dos professores, é um problema bastante comum no Ensino a Distância, o que desmotiva e interfere diretamente no desenvolvimento dos estudantes.

A segunda parte da atividade foi a produção de um vídeo sobre o papel do professor online. O vídeo foi disponibilizado através do VideoAnt, ferramenta que possibilita a discussão online. Desenvolvi esta atividade com a querida Carolina Santos e você pode participar da discussão através deste link: O Papel do Professor Online

Para trabalhar esta temática foi-nos sugerido também a exploração do FabilleApp, uma aplicação web que funciona como um repositório de ferramentas e técnicas para facilitação de atividades online. A ferramenta é interessante e está disponível gratuitamente para todos em:  https://favilleapp.ht-apps.eu/pt-pt/

Por fim, tivemos uma sessão online e ao vivo com as professoras Ana Paula Afonso e Isabel Carvalho investigadoras da UAb, que nos apresentaram a experiência com Chatbots no projeto da UAb - IDEAS -  Innovative Digital Education and Skills.

Durante esta sessão foi possível perceber que embora o acompanhamento por agentes não-Humanos como os chatbots seja uma tendência, ainda há pouca experiência neste campo em Língua Portuguesa.


Temática 3: Dimensão Design da Aprendizagem

Durante o desenvolvimento desta temática nós estudamos e discutimos alguns aspectos fundamentais do desenho da aprendizagem em contexto online.

Partindo da questão “O que é o Design Educacional?” nós buscamos elementos para conceituar e explicitar semelhanças e diferenças entre Design Educacional e Design Instrucional.

Nosso grupo criou um padlet para discutir os conceitos e aplicações do Design Educacional:

O material completo está disponível através do link: Design Educacional e de Aprendizagem

Embora este não tenha sido o nosso objetivo, a discussão concentrou-se em torno das definições de Design Educacional e Design Instrucional.

Como mostramos no padlet, grande parte dos autores não distingue Design Educacional de Design Instrucional usando os dois termos simultaneamente.

Contudo, observa-se que em Português, o termo “instrucional” nos remete à ideia de instrução através da informação e à ideia de treinamento. Por outro lado, o termo “educacional” parece compreender a ideia de desenvolvimento, visto que nos remete ao substantivo Educação e consequentemente, à ação pedagógica.

Segundo Palácio (2005), “é o termo design educacional que melhor se adequa às concepções pedagógicas envolvidas no processo de desenvolvimento de um ambiente de ensino e aprendizagem”.

Para alguns autores é uma simples questão de nomenclatura, sendo que alguns preferem usar o termo design instrucional segundo  a classificação International Board of Standards for Training, Performance and Instruction (IBSTPI) e outros Classificação Brasileira das Ocupações (CBO) como afirmam Santos, Fassbender & Evangelista (2015).

Estas diferenças e semelhanças também foram tema na sessão online e ao vivo que tivemos com as professoras Paula Carolei, Carol Vieira e Manuela Francisco.

Aqui, conseguimos perceber que a diferenciação na nomenclatura está mais ligada ao posicionamento pedagógico e o meio em que cada grupo de profissionais atua e menos nos objetivos educacionais de cada tipo de design.

Assim, conseguimos perceber três nomenclaturas:

  • Design Instrucional (termo mais utilizado no âmbito da educação corporativa, com uma abordagem predominantemente Cognitivo-Behaviorista)
  • Design Educacional (termo mais utilizado no ensino formal de nas universidades, com uma abordagem predominantemente Socio-Construtivista)
  • Design de Experiência de Aprendizagem (termo em desenvolvimento, que tem como foco a experiência e na personalização da aprendizagem)

Para além da terminologia, é o desenvolvimento de modelos de ensino-aprendizagem capazes de suprir as necessidades da nossa sociedade e formar cidadãos aptos para viver as transformações do século XXI que interessa o nosso estudo.

Pessoalmente, eu gosto de definições claras para poder entender e aplicar os diferentes modelos ás diferentes situações.

Acredito que educar não se limita a aplicar métodos, mas conhecer os métodos nos ajuda a encontrar melhores maneiras de educar, também online.


Uma rede interconectada

Os artigos aqui no blog, como grande parte do material disponível online, possuem conexões internas e externas conectando o conhecimento compartilhado por mim, com minhas fontes de leituras, conceitos que podem não ser familiares para os leitores de um artigo e que estão explicados em outros artigos meus, assim como links para os blogs dos colegas que contribuíram através da sua participação nos fóruns para a construção do conhecimento compartilhado por mim no artigo em questão.

O emaranhado de hiperligações que se cria em um ambiente digital representa a rede de conexões geradoras de conhecimento que criamos durante nosso processo de aprendizagem digital sob uma perspectiva socio-construtivista, onde o conhecimento emerge das interações, ou ainda, na capacidade de criação de redes de conexão como prega a pedagogia conectivista.

O fórum da UC – Processos Pedagógicos em eLearning não esteve, infelizmente, muito ativo durante este semestre. Todas as atividades desenvolvidas geraram um artefato e o convite para a discussão. Contudo, com a possibilidade de se discutir o mesmo assunto em vários lugares (cada estudante compartilhou seu trabalho no seu blog ou nas ferramentas indicadas pela professora), perdeu-se a força do debate nas duas primeiras temáticas.

Somente na última atividade, onde a turma foi divida em dois grupos, é o que debate foi mais produtivo. E aqui, o debate foi realmente produtivo e interessante, mostrando que o grupo é participativo e competente nas discussões.

Rever e reorganizar as leituras e os trabalhos realizados durante o semestre para a produção deste portfólio me ajudou a ter uma melhor compreensão do meu processo de aprendizagem nesta UC.

Também a minha prática pedagógica já foi influencia o que eu noto no meu trabalho cotidiano e pude percebe no desenho desta eAtividade para a UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem: 


A justificativa, a sequencia de atividades e o contrato de aprendizagem eu reproduzi aqui no blog no artigo eFormação:Empreender para Ensinar OnLIFE onde eu também teço alguns comentários sobre o processo de desenvolvimento deste trabalho.

Finalizo a redação deste texto com a certeza de ter tirado o máximo proveito desta unidade curricular e de que essa aprendizagem já está influenciando positivamente a minha prática pedagógica.

Agradeço a todos os colegas pela colaboração e o debate, assim como agradeço a professora Lina Morgado por ter-nos possibilitado aprender também com as professoras Paula Carolei, Carol Vieira e Manuela Francisco que fizeram a diferença nas sessões síncronas.

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